quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

17 de Janeiro de 1928 – Clarissa Mulher

Vejo Clarissa em pose com as mãos juntas sobre o queixo [quase em oração, como se toda sua vida não fosse uma oração literário-poética]. Na verdade não vejo – nós vemos: é assim que a grande poetisa  do Movimento Univérsico-Patriótico passou para a História e para os retratos nas salas da Diretoria das duas dúzias de escolas que levam seu nome.

Foi no dia de hoje exatamente às 13 horas e 13 minutos  [uma coincidência que não deixou de gerar especulações cabalísticas] que seu Terceiro Namorado terminou a última pincelada [sobre a sobrancelha esquerda] do retrato que fixou a imagem da criadora da abstrusa Ode ao Barro do Rio Guajará e das ousadas [e passíveis de múltiplas interpretações]  vinte e duas estrofes do Beijo teus Pés Minha Terra Meu Homem.

Clarissa Müller [o sobrenome explicado por um ascendente do Brandemburgo que aqui aportara lá pelo século XVI] teve sete namorados – e todos a amaram, e todos a choraram. Seu principal amor [no entanto e seguindo a tendência dos melhores críticos] foi a Terra.

Não o País, a Terra. A autora do poema que começa pelos celebérrimos versos Abracemo-nos, simplesmente à beira, com nossos pés a molhar não queria batalhas, gritos em Ipirangas ou mesmo exaltação de montanhas inúteis. Para ela, a Pátria era um namorado, com o qual passeava com as mãos levemente dadas, sem prestar muita atenção ao pôr do sol.


Clarissa [Müller Mulher] escreveu a letra do Hino Nacional Brasileiro. O mesmo Abracemo-mos.

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