quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

18 de Janeiro de 1785 – A Criação da Impossível Língua Intransmissível

Chamava-se Eskualdualk a língua que um homem improvável com o nome pouco verossímil de Coriolano de Freitas  criou no decorrer da década de 1780.

O  baixinho Coriolano [era ele mesmo quem lembrava sempre sua condição vertical, talvez para conceder-se um status de vítima] nascera [esperavelmente] em um engenho à beira do rio Mamanguape – o açúcar barato mas os custos mais baratos ainda deixavam patacas bastantes nas bolsas de couro de seu pai para enviar o filho para estudar em Coimbra, Leipzig, Montpellier e Uppsala. [De fato o futuro linguista não conhecera a mãe; quando a seu pai, era adepto da velhíssima escola Dou Dinheiro e Chibatas, e esses fatos (segundo seus três biógrafos) não deixaram de influenciá-lo na busca por uma língua-mãe].

Dessa europeia salada o jovem Coriolano não trouxe Tomos de Direito Romano nem Doenças do Amor [as grandes bagagens dos estudantes da época] mas um ódio imenso pela Europa. Não por um país isolado, nem pelas pessoas, mas pela Europa, abstrata.


Odiando o Continente, não poderia falar uma língua gestada no Continente. Coriolano criou [como língua de um país que ainda não existia] um conjunto de 7.890 palavras e partículas. Eram poucas pois cada palavra tinha mútliplos significados. Eskualdualk significava tanto Eu te amo, como As patas do cavalo já estão ferradas como O Por do Sol não existe mais [bem como o nome da própria língua]. Essa  multiplicidade de sentidos não deixou de suscitar controvérsias.

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