domingo, 22 de janeiro de 2017

22 de Janeiro de 1830 – A Invenção do Brasil

Exatamente aos cinquenta e três minutos da data de hoje [sem que ninguém saiba exatamente por que essa hora tão precisa tem importância, ou mesmo por que foi registrada] o Duque de Angoulème [barba branca apesar dos cinquenta e dois anos] pousou a espada na mesa de jacarandá [não viera de nenhuma batalha mas gostava de gestos memoráveis] e disse [suave como gatinho]: não existimos. No fundo nenhuma comunidade existe. Ninguém se considera parte de uma comunidade, exceto quando se vê face a face, e olhe lá. Nós queremos que pessoas que moram a dois ou três mil quilômetros uma da outra se considerem parte da mesma comunidade. Isso é impossível.

E acrescentou, bravo como tigre:
  • Só que nós o faremos, com muito Amor ou na Marra!
E para deixar claro quem era brasileiro, pegou o lápis e o papel:
Os brasileiros tem as seguintes tradições... Digamos, que tradições? Que tal uma festa em março? Outra maior, em outubro?

Em dois dias, sete horas e vinte e nove minutos de trabalho [ninguém sabe o por que de tanta precisão, nem por que alguém se teria dado ao trabalho de anotá-la] aquele grupo de advogados, fazendeiros, dois geólogos e um duque tinha inventado roupas típicas, comidas tradicionais, heróis históricos, datas memoráveis, danças folclóricas e até um tipo físico tipicamente brasileiro a ser cunhado em moedas.

A História não anotou o nome de quem gaguejou:

  • E quem não gostar dessas coisas?
  • Não é brasileiro! - Bradou o Duque. - Inventamos o Brasil agora!

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