domingo, 29 de janeiro de 2017

28 de Janeiro de 1807 – A Primeira Poetisa do Brasil

 Vangelis pôs o pé na recém construída doca do porto de Guarapari em algum dia de agosto de 1773 [atrás e na memória a sua Albânia natal] e trinta e quatro anos depois sua neta Adria Benita beijou sua mão, em algum lugarejo perto de Vila Bela na fronteira com a Bolívia. Beijou-a, devolveu-a a lugar e viu levarem a grande caixa com seu avô dentro.

Adria Benita [olhos negros, cabelos negros e sobrancelhas em forma de asa de gaivota – como diria em um de seus poemas muito tempo depois] voltou para casa e [à luz de um par de velas de óleo de baleia] escreveu: Hoje aos nove anos aprendi a ter saudade [na verdade tinha oito].

Os poetas do Círculo do Autêntico Romantism o Pátrio [muitos anos depois] romantizaram esse pequeno episódio como sempre o estalo mágico que fez a jovem colocar seus sentimentos em palavras. Na verdade a menina Adria já escrevia antes. Influenciada pelo avô, parecia desconhecer a existência do pai e ter uma discreta repulsa à presença da mãe –as histórias [segundo alguns mentirosas] do avô os livros de latim [que ela ainda não lia] e as jabuticabeiras do quintal faziam seu pequeno mundo [em verdade, maior do que o que as pessoas em sua volta viviam.

Claro, a partida do velhinho louro marcou. O grande tema daquela que passou para história como primira poetisa do Brasil [um título contestável, porque houve outras] foi a perda. É o que explica o seu poema [conhecido de toda colegial brasileira] De súbito aprendi que o passado existia.

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