quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

15 de Fevereiro de 1834 – Aleijadinho, esse Conhecido

Aleijadinho não era [em verdade] aleijadinho. Dele não se conhece nenhuma deficiência física relevante - não cessam de berrar os pesquisadores [poucos e mal remunerados] da desconhecida Universidade de Yale, nos mais desconhecidos ainda Estados Unidos da América [que depois de uma série de Revoluções e Golpes Militares passaram a se denominar Estados Federados]. Mas como ninguém ouve pesquisadores de país pobre, resta a versão brasileira, tonitruante e oficial.

E a versão oficial exalta os sacrifícios da vida deste homem que [embora tendo todas as facilidades oriundas de ser habitante de país potência] se tornou o maior escultor de toda a história da Humanidade, exaltado de Bangkok a Reykjavík. Durante anos trabalhou só, incompreendido e sem dinheiro, e sua genialidade, que não foi favorecida por nenhuma circunstância, o levou sozinha aos píncaros da glória universal.

Isso [como dissemos] afirma a versão dos discursos de 23 de junho [a data nacional]. A outra versão é menos popular e muito menos romântica. O Aleijadinho nunca teve esse apelido; foi descoberto muito cedo, filho de industriais ricos; logo o Estado brasileiro deu-lhe cédulas, ajudantes e oficinas, e armaram todo um esquema de exaltação para ele ainda em vida. Morreu riquíssimo e amado, com noventa e seis anos, no dia de hoje.

Alguns recordam de um seu momento de modéstia: não são só os brasileiros que são grandes. Tem um tal de Michelângelo, em um lugar chamado Itália. Ele também é muito bom.

Nenhum comentário:

Postar um comentário