domingo, 19 de fevereiro de 2017

19 de Fevereiro de 1890 – Os Dois Antônio Conselheiro

Antônio Vicente Mendes Maciel [o Conselheiro] nasceu em Quixeramobim e partiu para a Eternidade Consistente [era assim que seus esdrúxulos seguidores denominavam] em algum lugar no Norte da Bahia – tudo isso é unânime. Entre esses dois fatos os acontecimentos diferem em profundo da história do Antônio Conselheiro do Brasil Falso.

No Brasil Falso [um codinome na prática para fracassado] o Maciel vivera apenas 67 anos, o que era muito, para aquela época e lugar de atraso. O Verdadeiro Conselheiro [aquele do Brasil Potência em que vivemos] durou 97, o que não era muito, considerando o progresso que já engolfava o Brasil e [em particular] sua região a Nordeste, a mais rica.

O Conselheiro Falso berrava [os olhos injetados e a barba a aparar a baba] berreiros sobre o Fim do Mundo e como a República era coisa do Cão, em meio a campos escorchados de calor e plantas secas. O Conselheiro Autêntico tomava chá com torradas e dizia [voz baixa e pausada] que os homens dever-se-iam guiar pela virtude, e sem desafiar o Mundo vigente, que era tão bom – e o dizia em meio ao Vale das Siderúrgicas [como era conhecida a bacia do Rio Jaguaribe] e o Polo de Indústrias Químicas que se desenvolvera no entorno do Raso da Catarina [reconhecidamente o mais avançado do planeta].

O Conselheiro Falso foi [previsivelmente] esquecido. Dele só restam alguns contos [de escritores de gosto nem um pouco apurado] sobre se o Brasil fosse país estagnado e especialista em produzir gente e matérias-primas.

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