quinta-feira, 23 de março de 2017

21 de Março de 1831 – A Falsidade Real

Contrariamente ao que ocorre com tantas datas envoltas em brumas, sabe-se que às 13:13 no dia de hoje que Antônio-Carlos Bishkek-Martins [no auditório central da antiga metrópole do Império do Leste] ao ser chamado pegou a maçaroca de papéis [que (desconfiava) aborreceria seu auditório pelas próximas horas] e [antecipando tal aborrecimento] sintetizou um programa e mensagem filosóficos:
- Construiremos aqui uma mentira. Porém tudo é mentira.

Estas palavras [talvez das mais repetidas da história brasileira e mundial] [o que é esperável, pois o Brasil há algumas décadas já é o país mais poderoso do mundo] abrem campanhas, terminam ou começam discussões, servem de frontispício de universidades, frequentemente citadas pela metade ou em contexto distorcido.

O sentido que o jovem e romântico [tinha 25 anos] Bishkek-Martins tinha ao com elas abrir o I Congresso de Realização de uma História Pátria era provavelmente o da necessidade o de se criar uma narrativa para o país a despeito das dificuldades [na versão mais limpa] ou o de inventar um conto da carochinha mirabolante para a dominação de um grupo [desnecessário dizer que são os revolucionários de sempre que o afirmam].

O fato é que pelos dias seguintes os congressistas decidiram com a maior candidez coisas do tipo Precisamos de sete heróis – quem serão eles? Ou Qual foi a batalha decisiva? Esta ou Aquela? Ou uma terceira que inventaremos? E sem estas decisões, os livros de história seriam fininhos, e quiçá menos aborrecidos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário