terça-feira, 28 de março de 2017

23 de Março de 1761 – A Filosofia dos Inexistentes

Coriolano de Farias-Terêncio teve via absolutamente convencional no nascimento, no estudo e no casamento. [De fato seus biógrafos (talvez com algum excesso de wishful thinking) aventuraram a hipótese de que o caráter conformista de sua vida originou o anticonformismo tonitruante das coisas que falou]. Três dias antes de completar 55 anos de idade voltou-se para a mulher, os três filhos, os dois únicos amigos e a plantação de batatas [que era o que fazia para viver]:

- Se eu não tivesse sido concebido, teria ficado infeliz?

E os próximos 41 anos viram a publicação de dezessete ensaios, cinco compêndios, vinte e três opúsculos sobre temas específicos além de incontáveis palestras e aulas na Universidade dos Saberes Austrais, a instituição de sabedoria que o recém-unificado Potentado do Brasil [que ainda não tinha este nome] fizera para desenvolver a região mais perto do polo, a grande pedra do sapato nacional.

A Filosofia Coriolanística [que tem alguns apupadores, malgrado a consagração majoritária] tem sido acusada de ser um exercício de inutilidade. Os discípulos do Mestre acusam os críticos de serem bobocas que consideram que pensam que só se faz alguma coisa quando se come arroz ou se fabrica filhos. Quanto ao mestre em si mesmo, nada falava, e quando se dignava a abrir a boca, dizia algo como A Vida é Inutilidade, embora possa ser inutilidade divertida.

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