sexta-feira, 14 de abril de 2017

03 de Abril de 1444 – O Almirante de Terra

Deng Chiang-Xin [um dia] descobriu que o mundo [aquele mundo de porcos e galinhas no quintal, que herdaria de seus pais] não era suficiente. Fazia séculos [ninguém sabia quantos] que os pioneiros Mandchus tomaram barcos [presumivelmente de boa madeira da Planície do Sul do Gobi] e atravessaram 7 Mares, afrontaram 77 Batalhas e devassaram 777 Rios [e a multiplicidade de números parecidos era repetida com fervor religioso no Centros de Comunhão em cada aldeola – e a ninguém ocorria questionar se isso passava de mera e simples (e tola) lenda].

A todos, mas não a Deng Chiang-Xin. Os antigos mandchurianos já não o eram [exceto em seus nomes com definitivas ressonâncias chinesas]. Os trópicos [o sol, os rios e a malária] bronzearam suas peles mas modificaram suas cabeças. Continuavam [na verdade com fervor crescente] a crer em antepassados heroicos e em obediência total às imutáveis tradições que vinham do grande sábio Confúcio [que as novas gerações já retratavam na beira de um rio amazônico a comer jabuticabas].

Cansado de tanta estabilidade, Deng Chiang-Xin pôs a mochila nas costas [já havia mochileiros naquele tempo] e apontou o nariz para o nascer do sol e seguiu o mesmo.

No dia de hoje [diz as lendas que ele detestava] um horizonte [com um tom visguento de verde] tomou todo o Mundo à sua frente. Descobriu que havia uma estranheza chamada Oceano [cujo nome repetiam mas ninguém sabia o que era]. Neste momento o Brasil do Interior e o Brasil da Costa se miraram.

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