segunda-feira, 17 de abril de 2017

05 de Abril de 1938 – A Filosofia nos limites do Mundo

A Filosofia me ajuda a ser indiferente assim – ninguém sabe [na verdade se ninguém se interessa em saber] se Artemidoro era cabo, sargento, general, Mestre das Táticas de Futuro (este título estrambótico fora esperavelmente introduzido pelo Conselho dos Dezoito) ou qualquer outro rótulo vagamente militar. [De fato a SKQN [a polícia política do Regime] destruiu os arquivos s respeito e divulgou [com insistência quase irritante] tantas versões do fato que destruiu a credibilidade de qualquer uma delas.

Sabe-se apenas [se é que se pode saber de alguma coisa] que em uma das trincheiras da frente oriental [pois a paranoia do Regime mandara o Brasil fazer guerra em países quase surrealistas de tão distantes, como Moldávia e Valáquia] um homem chamado Artemidoro subiu no alto da trincheira, as balas do inimigo a zunir [e exatamente de qual inimigo se tratava é discussão tão extensa quanto inútil] e sussurrou:

- A Filosofia me faz indiferente assim.

E assim o disse mesmo, sem exclamações, mas com ponto final. [Alguns o colocam a fumar um cigarro, mas o movimento antitabagista tanto a combateu que acabou derrubando tal representação].

Essa frase tornou-se frontispício de toda faculdade de filosofia.

Alguns radicais dizem que se tratava na verdade de um anjo. Como uma admissão neste sentido levaria o frontispício para as faculdades de teologia, essa versão tem sido acolhida [compreensivelmente] com indiferença.

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