quarta-feira, 19 de abril de 2017

07 de Abril de 1711 – O Rejeitador

No presente e no futuro estende-se [dizem, não sem alguma grandiloquência] a sombra do Reino Azkidi. De fato esse Potentado [o qual se denominava oficialmente O Magnífico Império Azkidi] não é dos menos exóticos [e em um país cuja história pulula de exotismos isso é mérito não pequeno]. Além de exótico, tratava-se de Império cujo poder dificilmente deve ser subestimado – estendia-se da boca do Amazonas ao aclive para os Andes, nos seus tempos de maior fastígio.

Ngenga-Osh sabia de tudo isso. E a tudo isso rejeitava. Na verdade a Magnificência do Império [e a percepção de que tal magnificência se fazia às custas do camponês e do pescador que produziam comida para os grandes e que morriam nas guerras para eles] não o enojava mas o deixava com uma sensação flutuante, leve, de estar-fora [não é à toa que certas seitas posteriores (amalucadas e mescladas de catolicismo) tentaram fazê-lo o santo padroeiro dos anestesistas].

O Sábio [na verdade ninguém (previsivelmente) o considerava assim, até que ganhou a compleição da idade] caminhava pelas florestas [onde se mesclavam produtos florestais para a mesa dos prósperos] e pelas forjas [onde se laminavam os arcabuzes e espadas para as guerras] e pelos portos [dos quais partiam os barcos de pesca e as fragatas de batalha].

Ngenga-Osh olhava os homens e [ao contrário de certo profeta das terras palestinas, muito para lá do mundo] e não se despertava compaixão, senão tédio.

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