quinta-feira, 20 de abril de 2017

08 de Abril de 1670 – Os Dois Caminhantes

Os 99 desertos da Beira da Reino da Renovação Mandchuriana não eram na verdade 99. [Um Atlas de las bolichezes de Países Vecinos (publicado previsivelmente em Comodoro Rivadávia em 1882 – já que Buenos Aires se encontrava ocupada pelo VI Exército Brasileiro) afirmou serem na verdade 176, enquanto uma edição alemã (Düsseldorf, 1907) estabelecia  serem apenas 17 – o que já era muito].

Seja como fosse, era   muito deserto. E a todos Carolina-Josefa e Marlos percorreram, a pé, a cavalo, de lhama, às vezes até a nado [entre os desertos havia não poucas paragens pouco desérticas. Além disso, o conceito de “deserto” na época era um tanto elástico].

Um casal sempre chama a atenção. Um casal naqueles fins de mundo sempre chama mais atenção. Um casal que percorre por anos lugares nos quais pouca gente meteu o pé gera cinismo, inveja e fofocas.

A primeira [e compreensivelmente a mais difundida delas] afirmava que se tratava de uma dupla de devassos, dados a todos os exageros carnais, a dois, a três, a muitos [o problema de onde viriam esses muitos, já que o casal da maior parte das vezes estava só, não parecia ser levado em consideração].

A segunda os transformava em demônios – dois espectros a vagar pela fronteira oeste a devorar criancinhas em poções mágicas [de onde viriam essas criancinhas, dá no mesmo problema da fofoca anterior].

A verdade [sempre menos interessante] parecia insuportavelmente monótona. [O que, evidentemente, não parou os rumores].

Carolina-Josefa e Marlos eram irmãos.

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