segunda-feira, 3 de abril de 2017

29 de Março de 1763 – Sem Mistérios no Tempo

As Breves e Longas Considerações sobre a Inexistência do Tempo foram publicadas hoje. Publicadas se trata de força de expressão, pois tal obra não conheceu [e não conheceria por vários anos] a impressão gráfica – seus 7.999 exemplares [um número tão tolo quanto significativo] foram reproduzidos manualmente.

Tal imenso esforço requeria [como efetivamente requereu] a mão de obra conjunta de um grande grupo de pessoas – razão pela qual se trata da primeira obra filosófica dos tempos modernos [e quiçá de todos os tempos] oriunda de esforço coletivo – o que não deixou de ser objeto de gozação.

A primeira [e talvez não necessariamente indevida] crítica à obra decorre de seu próprio título – se o tempo não existe, como poderia ser breve, ou longo?

Os autores [no entanto] quiseram dizer que, mais que qualquer evento externo, o tempo se trata de uma sucessão de eventos internos, ou seja, a sucessão das ideias. Como ninguém pode parar de pensar [algo que (para os misteriosos autores) parece algo tão tolo quanto indecente] e como tais pensamentos possuem o estranho costume de não ocorrerem todos ao mesmo tempo, eles se estendem ao longo de uma linha – esta linha [por mera convenção] ganha o nome de tempo.

A crítica mais consistente [no entanto] talvez tenha sido a mais emocional – a de que este raciocínio não resolve os problemas da saudade, do arrependimento e do medo do futuro – este sim, os reais problemas do tempo. Quanto a isso, os autores quedaram compreensivelmente silentes.

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