terça-feira, 20 de junho de 2017

26 de Abril de 1545 – Meditação de um profeta confessadamente falso

Durante os primeiros 555 anos procurei por meu Destino; durante os próximos, o meu Destino é quem irá me procurar! – e esse ditado [repetido sem ser meditado, como acontece com os ditados] possui uma segunda [e mais piedosa] versão, na qual o Destino é substituído por Deus. De qualquer forma, quando Catulo Oliveira-Andijan pronunciou tal frase [em algum lugar perto das ruínas de Penedo, no dia de hoje em um conveniente cair de tarde tempestuoso] todos [e mais ainda a Posteridade] prestaram atenção apenas no que é secundário, ou seja, no possível conteúdo moral do adágio, e não no que realmente interessava: o fato de afirmar ter vivido mais de cinco séculos.

O sábio Andijan [como ficou vulgarmente conhecido] tem despertado algum interesse da comunidade científica da Cidade Alpha [estrangeiros afirmam que isso se deve a que, o Brasil tendo resolvido virtualmente todos os seus problemas, pode se dar ao luxo de pesquisar bobajadas]. Do fato ele apresenta interesse inclusive histórico: o fato de ter feito suas pregações terem sido feitas no rio [que os ímpios chamariam de São Francisco, na frouxa fronteira entre o Império do Leste (onde reinavam os descendentes de europeus) e o Grande Reino Azkidi (da mistura entre os Azginya e os Quirguizes, dos quais o nome do profeta é claramente derivado)] confere ao sábio um inevitável charme conspiratório.

No entanto, a explicação menos implausível é que o sábio completara não 55, mas 55 anos, e fazia planos para o futuro, como é de praxe. 

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