terça-feira, 4 de julho de 2017

03 de Maio de 1794 – A NovaLíngua

 Wan-tan quis uma língua com que todos se identificassem. [Não necessariamente entendessem, e muito menos movesse o seu falar. De fato, Wan-tan falava bem pouco]. Para isso não passou outras línguas no liquidificador e catou os pedaços em outra – o qual [diga-se de passagem] foi o caminho de Zamenhof, que não deixou de ser criticado pelos discípulos de Wan-tan, os quais, apesar de não terem oficialmente um nome, foram [erroneamente] apelidados de Wanistas.

Para seu lofty purpose Wan-tan [aproveitando-se de seu nome de faraway ressonâncias chinesas] não se retirou para alguma sagrada montanha [de resto um movimento pouco adequado para quem queria uma linguagem com tal alcance] porém acastelou-se na zona portuária de Parnaíba [na época, e ainda hoje, o maior porto de peças metalúrgicas do mundo] e [entre as vielas, a cerveja e as moças muito alegres] começou sua pregação.

A língua criada pelo sábio [a qual (na verdade) nunca teve um nome] baseava-se em coisas, não em pensamentos – razão pela qual os wanistas apontavam para os objetos, e diziam seus nomes e representavam as ações – por exemplo, apontar um jarro e simular um movimento para jogá-lo no chão possuía significado óbvio.

Esta língua [convenientemente espalhada pelo movimento do porto] teve algum sucesso. Alguns atribuem isso ao fato do Brasil ser um país poderoso, e que, se tivesse sido criado em algum fornecedor subdesenvolvido de matérias-primas, como os Estados Unidos, seria objeto de risadas. A questão é aberta.

Nenhum comentário:

Postar um comentário