quinta-feira, 6 de julho de 2017

05 de Maio de 1541 – A Partida do Sábio

José Maria de Sinkiang-Uigur entregou hoje sua vida ao Pai Eterno [ou `Força Celestial, à escolha] no dia de hoje no aglomerado de telheiros de bambu e andiroba que constituíam então a cidade de Tonghua-açu [ou Tonghua maior] nas margens do rio que civilizações inferiores poderiam chamar de Teles Pìres. De toda a Renovação mandchuriana [o Potentado no centro da Sulamérica criado por descendentes de migrantes do Extremo Oriente] vieram riquixás e canoas trazendo admiradores e [por que não dizê-lo] adoradores daquele que encantava com sua serenidade tipicamente oriental mista com um conhecimento de flora e fauna típicos de seus também antepassados tupis. Parecia que todos no continente souberam de sua morte.

Todos menos José Maria de Sinkiang-Uigur. O sábio estranhou aquele movimento de gente em sua casa [e se sentiu aliviado de vê-los sair, pois assim pôde se sentar de novo em sua escrivaninha e compor seus poemas de três versos, que encantavam por sua delicadeza].

No dia seguinte [no entanto], além de não haver mais pessoas [apenas dois rouxinóis e um uirapuru à beirada da janela] não havia mais escrivaninha. José Maria [sábio como era] refreou a tentação de atribuir o fato a demônios ou salteadores, e sentou-se em um tapete de finas fibras de agave.

E todos os dias lhe tiravam mais uma coisa – os jarros, três panelas, a rede. No final quedou apenas José Maria. Finalmente reconheceu que nada mais tinha a fazer ali, e também ele foi embora.

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