quarta-feira, 12 de julho de 2017

08 de Maio de 1916 – A Fundação de los Alumbrados del Sur

Hernan, Manoel, Guillermo y Matilda cravaram [os quatro juntos, com a mão de Matilda por cima] um punhal de prata na mesa de mogno negro em um apartamento no terceiro andar do número 348 da Calle Corrientes, fundos, exatamente às 16:16 minutos do dia de hoje. Não puderam cantar alto o Himno de Liberación [que haviam composto apressadamente na semana anterior] devido não só às estripulias do Esquadrão Austral [a polícia política do governo títere], mas a que do andar de baixo vinha o som de um tango em uma vitrola, entremeados de suspiros femininos que eles, para não constrangerem o histórico momento, preferiam considerar serem de asma.

Aos doze participantes da reunião [que inevitavelmente gerou comparações com o número de alunos de certo profeta na Galileia] explicaram o que já se tinham explicado mil e duas vezes e que parecia sempre novidade: o Brasil invadira a Argentina e colocara na Casa Rosada um governo traidor e títere. Era inaceitável essa tirania por parte de uma grande potência. Muitos pensavam isso porém poucos faziam alguma coisa. Eles queriam a libertação. E para isso fariam de tudo. Quem tivesse medo, fosse embora agora.


Os quatro chefes descravaram o punhal [o Esquadrão Austral poderia descobrir e desconfiar daquela marmota] e encerraram a reunião. Cantaram de novo o tal hino. Na metade do último verso um grito de mulher e um suspiro masculino os interromperam. Saíram envergonhados, loucos para terminar logo.

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